A SAGA DO PEQUENO JOÃO III

By joelgomes

O pequeno João e a abelha da Maia

Num belo dia de Verão, em pleno início do ano,[i] o pequeno João saltitava[ii] por um campo de papoilas verdejantes, ou por outra, um campo verdejante de papoilas[iii] quando ouviu um baita dum zumbido super-irritante. Aí o pequeno João olhou à sua volta, tentando encontrar a fonte daquele baita de zumbido super-irritante.

 (Tempo designado para o pequeno João procurar a fonte daquele baita de zumbido super-irritante)[iv]

Infelizmente, foi tempo perdido, porque como logo viria a descobrir, a fonte daquele baita de zumbido super-irritante não era uma fonte, e sim uma abelha. Uma abelha listrada, mas mesmo assim uma abelha.

Aí, sabendo que era de uma abelha que se tratava, o pequeno João disse:

- Vamo lá parar com essa zumbideira aí, pô!

- Bzzzz bzzzz.[v]

- Mas assim fica difícil falar.[vi]

- Tem razão.

- Bzzz bzzzz.

- O que foi que ela disse?[vii]

- Não foi pra você que eu perguntei.

Foi pra quem? Pra mim?

- Foi.

Não sei.

- Bzzz bzzz.[viii]

- Vamo nessa!

- Bzzz.[ix]

- Que falta de orgulho pessoal.[x]

- Bzzzz.[xi]

- O que é que lhe dói?

- Bzzzz.[xii]

- O que é que você tem?

- Bzzzz.[xiii]

- E isso é o quê?

Momento delicado enquanto o autor e o narrador pensam numa resposta para dar ao pequeno João.

É uma doença que afecta uma zona do corpo.

- Qual zona?

A da… a da… Ai! Ajuda-me![xiv]

A zona ao pé das bochechas?!

- A cara?

É isso! É… a cara. Ela tem uma doença ao pé da cara.

- Coitada.

É, coitada.

Não podias ter pensado noutra coisa?[xv]

- Quem será que fez isso pra ela?

Pergunta-lhe.

- Quem foi que fez isso pra você?

- Bzzz bzzz bzzzz.[xvi]

- Um urso? Nossa! Que negócio sujo!

E então chegamos ao momento da acção em que o pequeno João percebe que a história não está a fazer sentido porque toda a gente sabe que “bzzz” quer dizer “bzzz” e apenas “bzzz”.

- Esta história não está a fazer sentido e o resto que ele disse também.

E a culpa era do autor que não conseguiu pensar em nada melhor que a história das hemorróidas.[xvii]

Então, a abelha foi snifar pó e o pequeno João continuou saltitando pelo campo verdejante de papoilas.[xviii]

FIM

Versão original: Sir Arthur Kona Dóite

Versão luso-brasileira: Humberto Ricardo





[i] O ano novo é quando o homem quiser. É tipo Natal.

[ii] Tipo aquele coelho das pilhas.

[iii] Como o ópio é extraído da semente da papoila, percebem melhor a alusão ao coelho.

[iv] Eu sei que já usei esta piada. Mas o que é que queriam que eu dissesse quando ele tá à procura? Que foi às compras? Se ele tivesse ido às compras não estaria à procura de nada. Ou estaria?

[v] Não estão à espera que eu fale abelhês, ou estão?

[vi] Tu também nunca ligas àquilo que te dizem.

[vii] Eu é que sei?

[viii] Só pra isto andar um pouco, vamos todos fingir que eu falo abelhês. Quem estiver contra, levante a mão. Ninguém? Óptimo. Podemos continuar.

[ix] Olá amigos, eu sou a abelha da Maia.

[x] Foi mesmo só para o nome aparecer pelo menos uma vez na história.

[xi] Tou cá com umas dores.

[xii] Dói-me a alma e as entranhas.

[xiii] Acho que tenho hemorróidas.

[xiv] A zona ao pé das bochechas.

[xv] O que é que queres? Foi o que me veio à cabeça.

[xvi] Foi um urso.

[xvii] Na altura não te queixaste.

[xviii] Se as histórias deste livro fossem sequenciais, podíamos utilizar o facto do pequeno João estar alucinado como desculpa para tudo. Como não, vou ter de pensar noutra coisa.

Deixar uma Resposta