Paulo é um jovem à procura de emprego. Um dia vê no jornal o anúncio para o emprego perfeito. No dia seguinte, vai à entrevista. Mas…
A ideia original para esta curta-metragem partiu de Paulo Lameira, um amigo meu que trabalha como publicitário. As palavras dele foram ‘Tenho uma ideia para escreveres uma curta-metragem. A história não sei qual é, isso fica para tu pensares, só que acontece tudo em pano de fundo. É só um gajo a andar na rua e a história é contada aos bocados.’
Pareceu-me ser uma ideia interessante e decidi experimentar.
Um homem é perseguido por uma criatura invisível. Não sabendo se está a dormir ou a sonhar, o homem tenta fugir, tenta ignorar. Mas o fim é sempre o mesmo.
Escrevi esta curta-metragem em pouco mais de cinco minutos. Não me lembro de onde veio a ideia, creio que foi daquelas que surgem assim de repente e, por sorte, temos papel e caneta à mão.
Os últimos quarenta minutos da minha vida
Roberto, e dois amigos seus, Júlio e Ricardo, fazem uma caçada na floresta. Um acidente acontece e Roberto leva um tiro na cabeça. É dado como morto, mas será que está mesmo?
Baseado numa história verídica. Li uma notícia no DN há uns anos atrás. A notícia relatava um acidente de caça do qual tinha resultado um morto. Só que a vítima demorou quarenta minutos até morrer.
Logo pensei que era uma ideia boa de explorar. Sobretudo se trabalhada do ponto de vista do fantástico, com algum humor à mistura.
Um homem e uma mulher em mundos diferentes percorrem as ruas duma cidade vazia. No fim da sua viagem espera-lhes um espelho enorme que lhes permite passar para um outro mundo.
Começou por ser uma experiência de escrita sem grandes ambições ou enredos. A ideia era escrever duas histórias diferentes em simultâneo que culminassem num final comum.
No entanto, à medida que a ideia se foi desenvolvendo, comecei a explorar uma nova estratégia, desta feita mais ao nível técnico e não tanto narrativo.
Um homem à procura de emprego, um motorista de autocarro atrasado para o trabalho e uma noite de copos. São tudo estranhas coincidências.
Esta curta veio um pouco no seguimento de outra chamada ‘P(L)ANO DE FUNDO’. Usei novamente no conceito de história contada aos pedaços, combinando várias personagens cujas acções desencadeiam vários eventos que afectam pessoas com as quais não têm qualquer relação pessoal. É uma espécie de efeito borboleta, mas em ambiente controlado.
da lucidez à loucura ou…. era um psicólogo e agora sou uma cenoura
Três médicos analisam o caso de três homens responsáveis por um massacre ocorrido num hospital psiquiátrico semelhante ao mesmo onde eles se encontram. Desse evento resultou a morte de todos os funcionários e pacientes.
Os três médicos ponderam sobre a melhor terapia a seguir para tratar do caso em questão. Mas o caso revela-se mais complicado que isso.
Se não estou em erro, esta foi a terceira ou quarta curta-metragem que escrevi. A ideia original era bastante diferente do resultado final. Ficaram as influências lynchianas e o ambiente fantástico.
Um homem está no café a ler o jornal quando sente que está a ser observado. Olha à sua volta e apercebe-se que está um sujeito a olhar para ele fixamente. O homem tenta ignorá-lo mas acaba por sair do café. O homem segue-o. O homem começa então a ver a face do seu perseguidor em todo o lado.
Irrita-me estar num sítio público – café, transporte, o que for – e ter alguém a olhar para mim sem razão aparente. Com base nisso, decidi pegar nessa espécie social, o ‘olhador’, e levar a sensação de perseguição a um extremo que chega ao gore.
psicoapatia
Henrique é um perigoso sociopata que foge do hospital psiquiátrico onde se encontra a cumprir pena.
Fernando, um homem pacato, alheio a tudo isto, vive numa aldeia a vários quilómetros de distância destes acontecimentos. Infelizmente para si, a sua semelhança com o Henrique é assombrosa e a polícia acaba por prendê-lo numa Operação Stop. Enquanto isso, Henrique chega à aldeia onde Fernando vive e, vendo a forma como é tratado, decide assumir a vida do seu sósia.
A ideia não é nova – duas pessoas idênticas, com personalidades diferentes, trocam de identidade – mas pensei que era capaz de conseguir algo interessante. Inspirei-me um pouco, ainda que possa não ser muito óbvio, nos irmãos Cohen. O seu humor sarcástico, negro por vezes, foi uma grande ajuda para a escrita desta história. Juntei a isto algum suspense, sexo e violência. Um filme para a família, portanto. (Desde que esta seja disfuncional.)
Uma família muda-se para um apartamento novo. Quando acabam de arrumar as malas, reparam numa porta fechada. Tentam abri-la, mas não conseguem. A vizinha do lado diz a Tiago, o filho mais velho do casal recém-chegado que os antigos inquilinos daquele apartamento tinham sido mortos e os corpos estavam escondidos atrás da porta fechada.
A ideia original para esta curta veio de Janine Ramos, uma amiga e ex-colega do curso de escrita para televisão e cinema. Ela teve a ideia e planeou a história; eu fiz a posterior passagem para guião. Tentei criar um ambiente aparentemente descontraído, com algum humor aqui e ali, cuja tensão vai aumentando até ao clímax final.
UMA HISTÓRIA PARA 90 SEGUNDOS
O argumentista do filme é arrancado da cama a meio da noite por dois homens de negro e levado para uma cela num lugar incerto. Um terceiro homem de negro aponta-lhe uma pistola à cabeça e diz ao argumentista para começar a escrever, dando-lhe um prazo de noventa segundos. Perante essa ameaça, o argumentista vê-se forçado a cumprir o que lhe mandam.
Uma breve experiência feita porque não tinha nenhuma ideia. Dei um ultimato a mim mesmo e foi aí que tudo surgiu. Tão simples quanto isso.
A FÓRMULA DA FELICIDADE
Pedro é um rapaz de treze anos que nutre uma forte paixão por Raquel, uma colega de turma extremamente atraente. Porém, o sentimento não é correspondido.
Um dia, o seu professor de matemática, fala duma notícia que leu no jornal e expõe no quadro uma fórmula elaborada por um grupo de psicólogos que, segundo eles, determina a felicidade.
Pedro resolve usar essa fórmula para conquistar Raquel e analisa cuidadosamente a notícia para tirar todos os elementos necessários.
A fórmula da felicidade é real, veio mesmo num jornal (daqueles a sério e não daqueles de café). Achei curioso alguém querer quantificar algo como a felicidade e decidi trabalhar isso sob o ponto de vista de alguém ainda não muito afectado pelos males do mundo.
Pedro é um rapaz na fase da puberdade, da descoberta de sentimentos como o amor. A sua reacção a algo como uma fórmula matemática para descrever algo que ele está a aprender a conhecer, pareceu-me ser uma ideia interessante de explorar.
a realidade sonhada
Um homem amargurado vagueia pela cidade. A certa altura o homem entra num parque e, ao chegar a uma zona de piqueniques, depara-se com uma cena bizarra. Sentados na relva a fazerem um piquenique estão ele, a sua mulher e a sua filha. De início pensa estar a sonhar e mantém-se afastado. Devido à sua hesitação, o homem vê a sua mulher e filha serem assassinadas à sua frente. O assassino dá um tiro na perna da sua “cópia” e deixa-o à sua sorte.
A história gira em torno da ideia de que os mortos ficam presos a este mundo se não os deixarmos ir. Fala também de escolhas erradas e do que tentamos fazer para alterar o inalterável.
Escrito em parceria com Janine Ramos.